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O medo e o retrocesso anticivilizatório

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15.03.2026

O termo anticivilizatório designa ações, projetos ou comportamentos que representam um retrocesso em relação aos avanços humanísticos, éticos e sociais conquistados ao longo da história. Civilização não é um estado natural da humanidade, mas uma construção coletiva e histórica erguida por meio de conflitos, pactos e instituições. Sempre que práticas políticas ou sociais passam a negar a dignidade humana, relativizar direitos fundamentais ou normalizar a violência como método de organização da vida pública, estamos diante de sinais claros de regressão civilizatória.

Nesse sentido, o anticivilizatório não se manifesta apenas em atos de brutalidade explícita. Ele também aparece quando se enfraquecem instituições democráticas, quando se banaliza o discurso de ódio ou quando se reduz o espaço da educação, da cultura e do pensamento crítico. São movimentos que corroem silenciosamente os pilares da convivência democrática e que reintroduzem na vida política a lógica da força, da exclusão e da intolerância.

A frase “Realmente, vivemos tempos sombrios”, associada ao poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht, tornou-se uma síntese emblemática de uma época em que a razão parecia sucumbir diante da barbárie. Brecht escreveu sob o impacto da ascensão do nazifascismo na Europa, quando regimes totalitários passaram a mobilizar o medo, a manipulação da informação — hoje muitas vezes identificada como fake news — e a violência para impor projetos políticos autoritários.

Ao denunciar aqueles “tempos sombrios”, Brecht não se referia apenas ao drama histórico de sua geração. Ele alertava para algo mais profundo: a fragilidade do processo civilizatório diante da tentação permanente do poder autoritário. O poeta percebia que, quando o........

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