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A hierarquia da existência

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25.05.2026

A história da humanidade é, ao mesmo tempo, uma narrativa de ascensão biológica e de decadência moral. Desde que o Homo sapiens emergiu, segundo a ciência, entre 400 mil e 100 mil anos atrás, como um dos últimos ramos da grande árvore evolutiva, carregamos conosco não apenas a capacidade singular do raciocínio abstrato, da linguagem complexa e da cooperação social, mas também uma marca sombria: a tendência a hierarquizar a própria espécie. Os estudos mais aceitos hoje apontam que os humanos modernos surgiram de processos múltiplos e interconectados de evolução na África, Ásia e Europa, misturando-se geneticamente e demonstrando, desde os primórdios, que somos resultado de miscigenação, hibridismo e encontro. Ainda assim, por mais que a biologia revele nossa unidade, a cultura construiu muros.

Nas cavernas paleolíticas, onde o fogo iluminava as primeiras pinturas e mitos, já despontavam formas rudimentares de diferenciação entre grupos, tribos e linhagens. Com o advento da agricultura, por volta de 10 mil anos atrás, e o surgimento das primeiras cidades-Estado, nasceu também o impulso de ordenar, classificar e dominar. A Mesopotâmia erigiu templos ao mesmo tempo em que estabelecia castas. O Egito divinizou faraós enquanto rebaixava camponeses. A Grécia, berço da filosofia, defendia a razão e a paideia, mas sustentava a escravidão. Roma, criadora do direito, transformou povos inteiros em mercadoria. A Antiguidade floresceu em grandes feitos........

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