Negociações em Islamabad: o papel do Paquistão e dos países árabes
Washington e Teerã reconhecem que qualquer acordo precisa contar com os principais Estados árabes, especialmente no que diz respeito à segurança marítima no Golfo e no Mar Vermelho.
O papel do Paquistão como mediador fundamental entre o Irã e os Estados Unidos decorre de uma combinação de poderio militar, localização geográfica e relações equilibradas com ambos os lados. Além disso, possui um peso estratégico que faz com que negociar com ele não seja percebido como uma concessão ou rendição por parte do Irã.
O país é mais independente do que qualquer Estado árabe ou regional, pois não abriga bases estadunidenses em seu território, e a estreita relação entre o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desempenha um papel fundamental no fortalecimento dessa posição.
Islamabad exerce um papel de liderança na Organização de Cooperação Islâmica (OCI), encabeçando esforços diplomáticos em questões como Palestina, Caxemira e o combate à islamofobia. Atualmente, o Paquistão enfrenta um desafio complexo ao tentar equilibrar sua aliança estratégica com a China e seu desejo de fortalecer os laços com o Ocidente, em meio a desafios econômicos internos e conflitos políticos que o governo busca superar para alcançar uma estabilidade duradoura. Nesse contexto, o país se posiciona como um parceiro confiável e trabalha para apoiar as negociações.
O Paquistão também tem suas próprias razões, sendo a mais importante delas o receio de que um colapso no Irã possa levar à sua fragmentação e alimentar movimentos separatistas na província paquistanesa do Baluchistão. O país busca proteger sua segurança nacional das repercussões dessa possível fragmentação e também evitar uma grave crise econômica que poderia resultar do fechamento do Estreito de Ormuz. Além disso, procura obter apoio financeiro e investimentos de aliados como a Arábia........
