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O partido sem cara e o desafio da democracia

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12.06.2026

A reflexão de Emílio Bucci sobre o "partido clandestino" da extrema direita e a proposta de "radicalização democrática" defendida por pesquisadores do LAUT lançam luz sobre um dos debates centrais da eleição de 2026. 

O partido que existe sem existir 

O artigo publicado por Emílio Bucci no Estadão nesta quinta-feira (12) traz uma definição provocadora para um dos fenômenos mais relevantes da política brasileira contemporânea. Segundo o jornalista, o bolsonarismo funciona como uma espécie de partido clandestino. 

Não clandestino porque esteja proibido de existir. Nem porque seja perseguido pelo Estado. 

A clandestinidade, neste caso, seria uma escolha. 

Ao longo dos últimos anos, o bolsonarismo atravessou sucessivas legendas sem jamais se confundir inteiramente com nenhuma delas. Passou pelo PSL, pelo PL e por outras estruturas partidárias como quem utiliza uma plataforma temporária. O movimento permanece o mesmo. As siglas mudam. 

A observação de Bucci ajuda a compreender uma característica central da extrema direita brasileira: sua capacidade de operar simultaneamente dentro e fora das instituições. 

Quando lhe convém, apresenta-se como força institucional, disputa eleições, ocupa mandatos, recebe recursos públicos e utiliza a estrutura do sistema partidário. 

Quando lhe convém, volta a vestir a fantasia de movimento antissistema, atacando exatamente as instituições que lhe garantem existência política. 

Essa ambiguidade talvez seja um dos principais segredos de sua sobrevivência. 

O bolsonarismo continua vivo 

A condenação de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal e sua prisão por tentativa de golpe de Estado não significaram o desaparecimento do fenômeno político que levou milhões de brasileiros às ruas nos últimos anos. 

O bolsonarismo........

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