O partido sem cara e o desafio da democracia
A reflexão de Emílio Bucci sobre o "partido clandestino" da extrema direita e a proposta de "radicalização democrática" defendida por pesquisadores do LAUT lançam luz sobre um dos debates centrais da eleição de 2026.
O partido que existe sem existir
O artigo publicado por Emílio Bucci no Estadão nesta quinta-feira (12) traz uma definição provocadora para um dos fenômenos mais relevantes da política brasileira contemporânea. Segundo o jornalista, o bolsonarismo funciona como uma espécie de partido clandestino.
Não clandestino porque esteja proibido de existir. Nem porque seja perseguido pelo Estado.
A clandestinidade, neste caso, seria uma escolha.
Ao longo dos últimos anos, o bolsonarismo atravessou sucessivas legendas sem jamais se confundir inteiramente com nenhuma delas. Passou pelo PSL, pelo PL e por outras estruturas partidárias como quem utiliza uma plataforma temporária. O movimento permanece o mesmo. As siglas mudam.
A observação de Bucci ajuda a compreender uma característica central da extrema direita brasileira: sua capacidade de operar simultaneamente dentro e fora das instituições.
Quando lhe convém, apresenta-se como força institucional, disputa eleições, ocupa mandatos, recebe recursos públicos e utiliza a estrutura do sistema partidário.
Quando lhe convém, volta a vestir a fantasia de movimento antissistema, atacando exatamente as instituições que lhe garantem existência política.
Essa ambiguidade talvez seja um dos principais segredos de sua sobrevivência.
O bolsonarismo continua vivo
A condenação de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal e sua prisão por tentativa de golpe de Estado não significaram o desaparecimento do fenômeno político que levou milhões de brasileiros às ruas nos últimos anos.
O bolsonarismo........
