O colapso de Orbán e a encruzilhada brasileira
Mesmo com Jair Bolsonaro condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe e outros crimes, o bolsonarismo segue vivo, competitivo e pode tentar voltar ao poder pela candidatura de Flávio Bolsonaro, hoje em empate técnico com Lula.
A Hungria mostra que até um “homem forte” pode sangrar. O Brasil mostra que a ultradireita não morre sozinha. Ela muda de forma, troca de rosto e volta a disputar o poder.
O próximo domingo, 12 de abril, pode marcar o início do fim para um dos maiores símbolos da erosão democrática contemporânea. Na Hungria, o regime autocrático de Viktor Orbán, que há 16 anos asfixia instituições e controla a narrativa nacional, enfrenta a ameaça real de um despejo pelas urnas.
Segundo a Reuters, a reta final da disputa parlamentar chega com pesquisas independentes mostrando o oposicionista Péter Magyar e o partido Tisza à frente do Fidesz, ainda que Orbán siga competitivo num sistema inclinado a seu favor.
Se vier, sua queda não será apenas uma derrota local. Será um golpe devastador naquilo que se pode chamar de Internacional Reacionária: a rede de ultradireita global que transforma ódio, pânico moral e ressentimento em combustível para o poder.
Uma referência para setores trumpistas e bolsonaristas
Orbán não é apenas o primeiro-ministro da Hungria. É um símbolo mundial da ultradireita. Durante 16 anos, foi tratado como a prova de que era possível esvaziar a democracia por dentro sem abolir formalmente as eleições, sem fechar o Parlamento e sem recorrer a tanques nas ruas.
Sob seu comando, a Hungria virou o laboratório mais acabado de um novo autoritarismo: nacionalista, antiliberal, ultraconservador, sustentado por guerra cultural permanente, concentração de poder, corrosão dos freios institucionais e captura progressiva da esfera pública. O modelo clássico da ultradireita global e da extrema direita brasileira.
Conforme noticiado pela AP e pelo Guardian, foi exatamente isso que transformou Orbán em vitrine internacional da nova direita autoritária e em referência para setores trumpistas e bolsonaristas.
Orban e Bolsonaro: ambos partiram do mesmo núcleo
A comparação com o Brasil não é forçada. Orbán e Jair Bolsonaro governaram com estilos distintos, mas com a mesma gramática política. Orbán foi mais frio, mais paciente e mais eficaz na ocupação institucional. Bolsonaro foi mais tosco, mais estridente e mais destrutivo.
Um operou como engenheiro do autoritarismo. O outro, como incendiário permanente. Mas ambos partiram do mesmo núcleo: nacionalismo agressivo, uso político da religião, guerra cultural sem trégua, demonização da imprensa, fabricação de inimigos internos e hostilidade aberta a limites democráticos. Orbán consolidou esse........
