A bomba do fim do mundo explode no colo do Brasil
Quando uma comentarista da GloboNews chama uma proposta de "pauta do fim do mundo", um editorial de O Globo fala em irresponsabilidade fiscal e um ministro do Supremo alerta para despesas sem fonte de custeio, vale a pena prestar atenção.
Foi exatamente isso que aconteceu após a aprovação, no Senado, de um conjunto de medidas lideradas por Davi Alcolumbre e que, segundo estimativas amplamente divulgadas, podem produzir impacto superior a R$ 200 bilhões nas contas públicas.
A controvérsia já ultrapassou os limites da disputa entre governo e oposição e transformou-se numa discussão sobre poder, responsabilidade fiscal e governabilidade.
A conta não é de Alcolumbre
O principal projeto aprovado pelo Senado permite utilizar receitas do pré-sal para financiar descontos e renegociações de dívidas do setor rural. Seu impacto pode alcançar R$ 140 bilhões ao longo da próxima década.
Outras propostas ampliam pisos salariais e criam despesas permanentes sem fontes claras de financiamento. Somadas, podem representar mais de R$ 200 bilhões em novos compromissos para os cofres públicos.
O problema é simples.
Quem aprova essas medidas não paga a conta.
A força política da manobra está justamente aí.
Alcolumbre coloca Lula diante de uma escolha difícil.
Se sanciona as medidas, assume o risco de ampliar o desequilíbrio fiscal.
Se veta, compra uma guerra política com setores influentes do agronegócio, corporações organizadas e a maioria parlamentar que........
