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Terras raras, pragmatismo estratégico: o fim da neutralidade ingênua?

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27.07.2026

Algumas rupturas nos deixam em alerta, interrompendo a progressão constante da vida diária, acelerando abruptamente e com frequência, em direção à catástrofe. Foi o que aconteceu nas últimas semanas em mais um episódio desta vertigem moderna: o uso, mais uma vez, pelo governo dos EUA, do pretexto de “segurança nacional” para restaurar uma política unilateral de sanções e barreiras comerciais. Embora seu objetivo inicial vise a supremacia tecnológica da China, os estilhaços desta granada diplomática caem invariavelmente sobre países da periferia e nações emergentes, a América Latina. Um Brasil encurralado, no contexto de um conflito pelo fornecimento exclusivo de minerais críticos e, ao mesmo tempo, de infraestrutura de telecomunicações de próxima geração (5G e 6G) e o sucesso do sistema de pagamentos Pix, percebe o ultimato que desmascara quaisquer ilusões remanescentes sobre a neutralidade do comércio mundial de forma tão clara quanto a luz do dia.

E o indivíduo que ainda fantasia com o doce idílio do mercado liberal globalizado está sonhando com um mundo que deixou de existir (ou existiu em forma de simulacro) desde que os sistemas de produção mundiais se tornaram sistemas de conversão em armas de chantagem. Esta é uma fantasia ingênua. Acontece que a ideia de que o comércio irrestrito geraria espontaneamente a convergência de interesses necessária para apaziguar a rivalidade entre grandes potências, uma ideia sobre o “comércio suave” internacional de Montesquieu no século XVIII, que os formuladores de políticas de Washington desenterraram nos anos 90; foi sepultada, sem chance de reavivamento, no cemitério das utopias liberais. O que testemunhamos no cenário internacional é o choque do capital geopolítico com a integração pacífica e a reconciliação dos povos.

O estudioso, para compreender os fundamentos deste século XXI, não é um teórico da economia, mas o cientista político americano Henry Farrell e o cientista político israelense Abraham Newman. A dupla foi responsável por cunhar o conceito de “interdependência armada”. Sua premissa é tão simples quanto aterrorizante: a Globalização não levou à criação de uma rede de ligações descentralizada ou simétrica, mas a um ponto de concentração, repleto de pontos de estrangulamento. É precisamente aqui onde dados, recursos energéticos, tecnologias de ponta e fluxos de capital são trocados. “Quem controla os gargalos”, observam os dois em seu renomado ensaio, “pode observar, ameaçar ou paralisar rivais”. Estas são hoje as artérias cruciais de um novo século, do sistema de pagamentos SWIFT aos cabos de fibra óptica submarinos, à fabricação de chips em Taiwan e ao monopólio sobre o processamento de terras raras.

A pretensão de um governo brasileiro que pode gerir suas relações através de seu torpor diplomático e de um simples apelo romântico ao “direito internacional”, que é coisa de samba,........

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