menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O garrote de Ormuz e a agonia do Direito Internacional

22 0
14.04.2026

As águas estratégicas do Estreito de Ormuz nunca foram apenas um acidente geográfico; são, em última análise, o termômetro da arrogância ocidental. Quando o governo de Teerã, fustigado por décadas de um cerco econômico que a historiografia futura certamente classificará como uma espécie de genocídio, decide finalmente colocar a mão no registro e suspender o fluxo de energia, o que ressoa em Washington não é de surpresa, mas de uma fúria imperial. O império ruge porque, pela primeira vez em muito tempo, um ator soberano resolveu aplicar a gramática do poder que os próprios Estados Unidos santificaram: a força bruta como extensão da política. Tendemos a crer, embalados pela narrativa hegemônica, que o bloqueio iraniano é um ato de “terrorismo comercial”, um capricho de uma teocracia isolada. Nada poderia ser mais distante da realidade que se desenrola neste 14 de abril de 2026.

O que assistimos em Ormuz não é o início de uma agressão, mas o ápice de uma resistência. É preciso ter a coragem intelectual de dizer o óbvio, algo que se tornou raridade na nossa diplomacia: o Irã está exercendo o seu direito à legítima defesa contra uma potência que utiliza o sistema financeiro global como uma arma de destruição em massa. Se os Estados Unidos se arrogam o direito de bloquear as contas bancárias de uma nação, de impedir a venda de seus produtos e de asfixiar seu povo através de sanções unilaterais que atropelam qualquer resquício de legalidade na ONU, por que o Irã não teria o direito de utilizar o trunfo geográfico que a natureza lhe concedeu? A resposta da Realpolitik é seca: o bloqueio iraniano é a resposta física ao bloqueio invisível imposto pelo dólar.

A China, com a paciência milenar de quem observa o desmoronamento do império ianque, compreendeu o jogo. Pequim não apenas apoia tacitamente a manobra de Teerã; ela a valida como uma peça necessária no tabuleiro da multipolaridade. Para os chineses, o Estreito de Ormuz é uma artéria da Nova Rota da Seda, e permitir que Washington dite quem pode ou não navegar por ali sob o pretexto hipócrita de “segurança........

© Brasil 247