10 anos de um golpe que desviou o Brasil da democracia
Minha relação com Dilma não começa em cargos ou instituições. Começa na juventude, quando éramos dois jovens de cerca de 19 anos vivendo em um país que perseguia seus próprios filhos. Eu havia saído do Espírito em 1965, nos encontramos alguns anos depois no Rio de Janeiro, em 1969, ambos procurados. Nesse mesmo ano, no dia 4 de novembro fui sequestrado no Rio, quando Carlos Marighella, traído, era assassinado em SP.
Em março de 1970, foi a vez da companheira Dilma (Vanda pra mim) cair prisioneira.
Estas não são apenas lembranças, são marcas de uma geração que conheceu, na pele, o que significa uma ditadura cruel e antipatriótica.
Dez anos depois do golpe, o que mais me espanta é a fragilidade da memória.
17 de abril de 2016 não é uma data qualquer. É rememorar para não esquecermos que a conspiração golpista no Brasil é histórica, cujas raízes não foram extirpadas.
Eu vivi política o suficiente para reconhecer quando um rito institucional é esvaziado por dentro. E foi isso que foi visto naquele........
