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Resultados conjunturais e transformações estruturais

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27.07.2026

Se bons resultados conjunturais oferecem melhores condições de vida à população brasileira, ela se importa em alterar a trajetória de longo prazo marcada pela desindustrialização, pela dependência tecnológica e pela elevada financeirização?

Essa é uma questão central da Economia Política. A resposta mais plausível é: a maioria da população tende a priorizar os resultados concretos de curto e médio prazo, enquanto a preocupação com a trajetória estrutural de longo prazo concentra-se nas elites políticas, econômicas, empresariais e intelectuais.

Há uma diferença entre o horizonte temporal dos cidadãos e o dos formuladores de políticas. Para a maioria das famílias, os critérios de avaliação do governo costumam ser bastante pragmáticos. Há emprego? O salário compra mais? Os alimentos estão acessíveis? É possível financiar uma casa ou um automóvel? O SUS funciona melhor? A violência diminuiu? Os filhos conseguem estudar?

Se essas respostas forem predominantemente positivas, é natural a avaliação do governo também melhorar – e reelegê-lo. Poucos eleitores decidem seu voto com base em indicadores como densidade industrial, intensidade tecnológica das exportações ou participação da manufatura no PIB.

Enquanto os motores da economia americana e europeia são impulsionados por tecnologia avançada, indústria de alto valor agregado e serviços financeiros, o Brasil baseia sua economia interna fortemente no setor terciário tradicional (comércio e serviços urbanos). Seu comércio externo possui grande dependência do agronegócio e da extração de commodities, como petróleo e minério.

A diferença estrutural pode ser dividida nestes pilares principais. No Brasil, o setor de serviços responde por cerca de 70% do PIB, porém é concentrado em atividades de baixo valor e baixa produtividade. Na Europa e nos EUA, o setor de serviços é liderado por tecnologia, finanças globais, saúde e Pesquisa & Desenvolvimento, geradores de altos salários e forte inovação.

A indústria brasileira representa cerca de 23,4% do PIB, mas é fortemente voltada para o processamento primário (extrativa, eletricidade e gás, esgoto, construção), porque a indústria de transformação só........

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