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Coisa de rico: isenção fiscal de lucros

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27.04.2026

A pesquisa de Frederico Nascimento Dutra, Priscila Kaiser Monteiro e Sérgio Wulff Gobetti, baseada nos dados do IRPF entre 2007 e 2024, revela um aumento expressivo na concentração de renda no topo da pirâmide brasileira, especialmente no período pós-pandemia. Os dados indicam que a participação do 1% mais rico na renda nacional subiu de 20,4% para 24,3% entre 2017 e 2023, sendo 85% desse crescimento capturado pelo 0,1% mais rico.

Quanto à divisão da sociedade e à composição do topo da pirâmide, os citados pesquisadores destacam a divisão entre capital e trabalho, inclusive a importância da pejotização para os trabalhadores buscarem isenção fiscal como os empresários.

O crescimento das rendas do capital foi substancialmente superior ao das rendas do trabalho. No entanto, a sociedade não se divide de forma simplista, porque ocorrem dois fenômenos distintos.

No topo de 1% (excluindo o 0,1%), o aumento da renda via lucros e dividendos é quase simétrico à redução dos salários. Isso evidencia o processo de "pejotização", no qual profissionais liberais (com renda entre R$ 30 mil e R$ 140 mil mensais) convertem sua renda do trabalho em renda de capital para reduzir a carga tributária.

No topo de 0,1% (composto por multimilionários), ocorre uma expansão efetiva dos lucros, não apenas conversão de salários. Cerca de 90% do aumento da concentração nesse estrato é explicado por rendas do capital, sendo 66% especificamente de lucros e dividendos distribuídos.

É necessário atentar-se à composição do topo da pirâmide. Embora esse topo seja dominado por quem recebe rendas de capital, ele não é alcançado exclusivamente por empresários em todos os níveis.

Por exemplo, no Distrito Federal, a alta proporção de pessoas no topo de 1% (2,86% da população local) se explica pela grande quantidade de funcionários públicos de alta renda, com ganhos acima de R$ 30 mil mensais em 2023.

Mas há as limitações de serem assalariados. Apesar de estarem no 1% mais rico, esses servidores públicos raramente têm renda suficiente para ingressar no grupo dos 0,1% mais ricos (os milionários), composto majoritariamente por quem possui........

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