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Um vídeo errado, um conceito inventado e uma lei errada

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19.03.2026

Em agosto de 2025, um vídeo de cinquenta minutos produzido pelo influenciador Felipe Bressanim Pereira, o Felca, viralizou com velocidade impressionante, acumulando mais de cinquenta e dois milhões de visualizações e detonando um ciclo legislativo que raramente se viu no Congresso brasileiro: em menos de trinta dias, o Plenário de ambas as casas aprovava o que viria a ser a Lei nº 15.211/2025, o chamado Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, sancionada em setembro de 2025 e batizada, inevitavelmente, de Lei Felca. Para compreender os graves problemas da lei, é preciso começar pelo vídeo que a gerou, porque os defeitos do instrumento legal derivam diretamente dos defeitos analíticos do diagnóstico que o precedeu.

O vídeo e o problema do guarda-chuva conceitual

O vídeo Adultização não é um documento homogêneo. É um guarda-chuva que reúne, sob um mesmo rótulo emocional, fenômenos radicalmente distintos do ponto de vista jurídico, moral e sociológico. Em suas cinco décadas de duração, Felca percorre um espectro que vai de crianças ensinando estratégias de investimento para adultos — uma forma discutível, mas não necessariamente nociva, de autonomia precoce — até casos documentados de produção e comercialização de pornografia infantil. Entre esses dois extremos, sem qualquer distinção analítica, aparecem: pais que exploram a imagem dos filhos para gerar engajamento; adolescentes inseridos em dinâmicas de relacionamento performático para conteúdo digital; algoritmos que amplificam esse material para audiências com interesse criminoso; e casos de aliciamento e exploração sexual de........

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