A derrota eleitoral de Viktor Orbán
(Publicado no site A Terra é Redonda)
A derrota eleitoral de Viktor Orbán, na Hungria, no domingo passado, é um acontecimento de proporções globais. A barulhenta repercussão na imprensa internacional atesta o que digo aqui, mas uma das razões da magnitude desse fato ainda não foi exposta. Vale um artigo.
Muito se disse que Viktor Orbán era o centro europeu da estratégia de ultradireita na Europa. Verdade. Ele procurava seus aliados entre os que sabotam consistentemente o Estado democrático de direito. Como um agente duplo (um carro flex, uma lente multifocal ou um chip ambivalente), pactuou com Donald Trump e com Vladimir Putin, simultaneamente.
Tirou vantagens e as devolveu. Cuidou de atrapalhar, de embolar e de descosturar o apoio europeu à Ucrânia, em manobras que a Casa Branca e o Kremlin, por interesses distintos, agradeceram.
Pouco se falou, contudo, que o peso internacional do primeiro-ministro húngaro não se limitava ao seu papel em cálculos estratégicos e conjecturas geopolíticas. Seu peso maior era de ordem linguística. Isso mesmo, linguística: mais que um ator político eficaz, ele foi o que podemos chamar de “significante inaugural” na composição da rede de líderes nacionalistas, antidemocráticos e reacionários que empesteia o planeta.
Mais que um fator objetivo no tabuleiro do poder, atuou........
