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Cuba – a nova política econômica

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30.06.2026

Vladímir Lênin se viu diante de dilema semelhante em 1921, face às enormes dificuldades da Revolução Russa, e não teve dúvidas em lançar mão da Nova Política Econômica (NEP), a significar a reintrodução de práticas capitalistas.

Cuba, agora, dá tal passo, de modo muito mais ampliado, abrindo a economia à presença capitalista, sem abrir mão da direção dos rumos do país, provavelmente recolhendo lições da vitoriosa experiência chinesa, autodenominada socialismo de mercado.

Costumo dizer: a história não tem linha reta. São as curvas, às vezes abruptas, os reais desafios. Finda uma curva, pode aparecer uma encruzilhada. E as lideranças têm o dever, sobretudo, de encarar as curvas e resolver a direção a tomar quando defronta com uma encruzilhada. E não pode demorar muito porque à frente pode estar um abismo.

A atitude de Vladímir Lênin, ao decidir-se pela NEP, fazia frente à dura conjuntura de 1917 até aquele ano, especialmente aos resultados da Guerra Civil desencadeada pela contrarrevolução no final de 1918. Uma encruzilhada.

A Revolução russa se vira na contingência de aplicar a política chamada de “comunismo de guerra”, assim denominada de modo inapropriado, pois o país não vivia sob o comunismo. Nessa fase, desenvolveu-se controle rigoroso da economia pelo Estado soviético. Guerra é guerra, não pode haver vacilação.

Após a Guerra Civil, vencida pela Revolução, a União Soviética estava devastada. Lênin, ousado e corajoso, decide-se então pela NEP. Só ele tinha autoridade para uma decisão como aquela. Imaginava-se ser possível, ao liberar a presença do capital na área agrícola e urbana, promover o desenvolvimento mais acelerado das forças produtivas e garantir alguma acumulação de capital visando a industrialização. Fazia frente assim ao cerco promovido pelas potências capitalistas, dispostas a derrotar a inédita experiência socialista.

A NEP garantia liberdade de comércio interno, autorização para o funcionamento de empresas particulares e permissão de investimentos estrangeiros para a reconstrução do país. Os resultados não demoraram a surgir: a produção agrícola ganha dinamismo, o sistema viário volta a funcionar com regularidade e as pequenas indústrias começam a lançar produtos no mercado. O país começava a escapar da devastação ocasionada pela guerra contrarrevolucionária. A resistência àquela ofensiva reacionária, o esforço de guerra, custaram caro, e agora, com a nova política, a URSS voltava a respirar.

Muito se terá a dizer sobre a seqüência daquela política econômica e dos problemas vividos pela Revolução russa. Há a doença de Vladímir Lênin, e logo depois a assunção de Joseph Stálin, com todas as conseqüências. A lembrança da NEP veio a propósito da decisão cubana de abrir vigorosamente a economia à presença capitalista.

Poderíamos, ainda, para nos ancorarmos de passagem na história das grandes revoluções socialistas, lembrar a experiência chinesa. No final dos anos 1970, lideranças revolucionárias decidem-se pelo socialismo de mercado, com planejamento centralizado, mão firme do Estado socialista, e abertura ao capital privado, inclusive ao capital internacional. Uma frase ficou famosa, a definir a nova filosofia chinesa: não importa a cor do gato, importa que cace ratos.

Valer-se de mecanismos capitalistas para o desenvolvimento das forças produtivas, sem que a Revolução abrisse mão do controle político da gigantesca nação, controle executado pelo Partido Comunista Chinês. Uma experiência absolutamente bem-sucedida, nem é preciso avançar na argumentação.

O desespero dos EUA evidencia o quanto a China avançou, e o quanto fez acelerar a decadência do império antes tido como imbatível econômica e militarmente. O desenvolvimento das forças produtivas do país, nesses quase 50 anos, é estonteante, e com tal desenvolvimento foi possível assegurar boas condições a 1 bilhão e meio de pessoas. Tudo isso é dito, de passagem, para chegarmos a Cuba.

Para os EUA, o........

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