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Agências norte-americanas e ascensão do neoliberalismo – parte 7

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13.03.2026

Os centros de pensamento norte-americanos, cuja atividade divide-se entre a formulação teórica em defesa do neoliberalismo, de modo particular, nesse caso, voltado à América Latina, e a ajuda, colaboração direta aos golpes de variada natureza levados a cabo pelos EUA no continente, estão longe de serem organizações acadêmicas interessadas no conhecimento da realidade. Muito longe.

A última entrevista do documentário dirigido por Bob Fernandes foi com o norte-americano Nick Cleveland-Stout, pesquisador associado do Programa Democratizando a Política Externa do Instituto Quincy para a Governança Responsável, em Washington, e bolsista da Fundação Fulbright na Universidade Federal de Santa Catarina, onde realizou pesquisas sobre as relações Brasil-EUA, com foco particular na influência de think tanks americanos no Brasil.

Nick Cleveland-Stout, na entrevista, tenta dissecar como atuaram as agências norte-americanas, os think tanks, no Brasil, com vistas à chamada “abertura da economia”. Por tal formulação, leia-se a intervenção para a entrada das empresas dos EUA no Brasil naquele momento, época do governo de Dilma Rousseff — abertura, para manter o termo, especialmente interessada no petróleo. Ele inicia, ao responder às perguntas de Bob Fernandes, destacando a intervenção de dois think tanks: Atlantic Council e Wilson Center.

O primeiro, creio já ter dito — se o fiz, reitero — nasce em 1961. Gerencia dez centros regionais e programas relacionados ao que chama “segurança internacional” e “prosperidade econômica global”, e está sediado em Washington. Diria: segurança internacional quer dizer a segurança do imperialismo norte-americano. E prosperidade econômica deve rimar com livre comércio, e este, de modo a favorecer os EUA, obviamente.

No início, preocupa-se com as relações entre o Estado norte-americano e o continente europeu, mas depois se desdobra para atuação em outros países e, mais recentemente, teve importância na intervenção sobre o Brasil, de acordo com Nick Cleveland-Stout. Talvez seja redundante dizer, mas digo: o Atlantic Council mantém relações de absoluta intimidade com o Estado norte-americano.

Em fevereiro de 2009, James Jones, então presidente do Conselho, deixou o cargo e passou a ser conselheiro de segurança nacional do presidente Barack Obama. Outros membros do Atlantic Council deixaram-no para servir ao governo dos EUA. Susan Rice foi embaixadora na ONU, Richard Holbrooke tornou-se Representante Especial para o Afeganistão e Paquistão, e Anne-Marie Slaughter seria diretora de Planejamento de Políticas do Departamento de Estado, para lembrar alguns. Tais movimentações falam por si.

Voltemo-nos agora ao Wilson Center. Sediado também em Washington, o Woodrow Wilson International Center for Scholars pretende-se, como todos os think tanks, organização apartidária. Nasce de iniciativa do Congresso norte-americano, em 1968, como um memorial a Woodrow Wilson, 28º presidente dos EUA.

Woodrow Wilson destacou-se por liderar o país durante a Primeira Guerra Mundial. Na Universidade de Princeton, onde foi professor de Jurisprudência e Economia e, mais tarde, presidente da instituição, trabalhou para manter os negros, afro-americanos, fora da escola. Sulista, impôs a segregação racial generalizada na burocracia federal e se opôs ao voto........

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