Vale a pena?
Recentemente quase fui atropelado por um motorista, dentro do próprio carro.
Acionei o serviço de transporte individual privado por aplicativo, o mais famoso de todos, e o motorista começou a discorrer sobre política naquele velho discurso de que todos os políticos são iguais, todos calçam 40 e ninguém presta. O que me chamou a atenção foi que, por trás daquela aparente descrença, havia um perigoso niilismo político: a ideia de que nenhuma diferença importa, nenhuma escolha vale a pena e nenhuma instituição merece confiança. É um discurso que, ao nivelar tudo por baixo, corrói a própria validade da democracia, porque, quando se convence uma sociedade de que todos são iguais e nada pode mudar, o passo seguinte é desacreditar o voto, as instituições e a própria democracia, e é justamente nessa terra arrasada que o golpismo, a violência e a tirania costumam encontrar terreno fértil.
Tinha, naturalmente, o seu político preferido. O homem que, durante algum tempo, para ele, havia sido a exceção que confirmava a regra. Mas até esse, segundo ele, acabara demonstrando ser igual aos demais.
Eu disse que não concordava. Não por defender este ou aquele político, mas por uma questão elementar de lógica: seres humanos não vêm de fábrica em série. Há políticos honestos e desonestos, competentes e incompetentes, generosos e mesquinhos, assim como há médicos, professores, jornalistas, padres, motoristas e escritores........
