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Quem banca a bancada?

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08.04.2026

A chamada bancada evangélica, hoje em posição crítica ao governo Lula, não caiu do céu nem brotou do púlpito por geração espontânea. Ela é filha de um fenômeno maior, mais profundo, mais brasileiro do que parece: a fé que cresceu, se organizou, vestiu terno e gravata e resolveu disputar o poder.

Só que aí começa o curto-circuito.

Porque o Brasil, ao menos no papel, é filho da Constituição Federal de 1988, que diz com todas as letras que o Estado não tem religião. Nem uma. Nem preferida, nem disfarçada, nem “quase oficial”. O Estado é laico. E laico, convém lembrar, não é inimigo da fé. É o contrário. É o único arranjo que protege todas as crenças e também o direito de não crer. É o árbitro que não veste a camisa de nenhum time.

Mas o que acontece quando o árbitro começa a ser pressionado por torcidas organizadas com Bíblia, guia espiritual ou qualquer outro manual de salvação na mão?

Acontece o previsível.

A bancada evangélica deixa de ser apenas um conjunto de parlamentares que, por acaso, são evangélicos, e passa a funcionar como um bloco que pensa, articula e age a partir de uma identidade religiosa. Não é mais só fé pessoal. É estratégia coletiva. É projeto de poder.

E aí a política muda de eixo.

O deputado, que deveria falar por um eleitorado diverso, passa a ecoar uma comunidade específica. Não importa se essa comunidade é grande, crescente, legítima. O problema não é o tamanho. É a........

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