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O escândalo Master e as ofensivas coordenadas contra o STF

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31.01.2026

Nas últimas semanas, ministros do Supremo Tribunal Federal passaram a ser alvos de uma ofensiva midiática incessante, impulsionada por suspeitas difusas associadas ao escândalo financeiro do Banco Master. Sob o verniz de um suposto jornalismo vigilante, a mídia corporativa converte conjecturas em editoriais, produzindo um ambiente contínuo de deslegitimação institucional. Portais como Metrópoles, Folha de São Paulo, Estadão, O Globo e o site Brasil Agro, ao lado de canais como GloboNews e CNN, ainda hegemônicos no campo da comunicação, operam em sintonia com os interesses das elites financeiras que insistem em se apresentar como tutoras do país. O resultado é uma ação deliberada e orquestrada cujo alvo não é um ministro específico, mas a própria autoridade da Suprema Corte.

Trata-se de uma ofensiva que ignora, de forma conveniente, o papel histórico desempenhado pelo STF na defesa da democracia e no fortalecimento das instituições republicanas, especialmente diante da tentativa de golpe arquitetada pela extrema direita bolsonarista, uma empreitada que, se consumada, teria demolido o Estado Democrático de Direito. O Supremo cumpriu, de maneira exemplar, sua função constitucional de guardião da Carta Magna, impondo limites ao autoritarismo e preservando a ordem democrática. O que teria sido do país se aquele projeto golpista, concebido por um grupo disposto a atropelar o bem mais precioso de uma nação democrática, a soberania popular, tivesse obtido êxito para se perpetuar no poder sob um regime ditatorial?

É justamente por isso que a defesa do Supremo Tribunal Federal não pode ser confundida com adesão acrítica às suas decisões ou com complacência diante de seus erros. Preservar o STF não significa endossar as distorções constitucionais cometidas ao longo de sua história recente. Significa reconhecer falhas graves, como o aval concedido aos abusos da Operação Lava Jato, marcada por reiteradas violações ao devido processo legal, posicionamento que a própria Corte revisou mais tarde. Tampouco implica ignorar a responsabilidade do tribunal ao rejeitar o pedido do governo Dilma Rousseff e de parlamentares de sua base para anular um processo de impeachment articulado pelo ex-presidente corrupto da Câmara, Eduardo Cunha, processo manifestamente indevido, conduzido sem a configuração de crimes de responsabilidade ou corrupção, mas sustentado exclusivamente pela perda de sustentação política, como posteriormente reconheceu o ex-ministro Luís Roberto Barroso.

Preservar o STF, portanto, não significa silenciar diante de posturas indevidas de alguns de seus ministros, que, em determinados momentos, se deixam capturar por mecanismos de cooptação oportunista das elites econômicas e políticas. Ainda assim, mesmo com todos esses desvios, a preservação da Suprema Corte é imperativa, não para blindá-la, mas para aprimorá-la, vigiá-la e exigir que cumpra, com isenção ética e rigor institucional, o seu papel de guardiã da Constituição. Em um cenário de colapso deliberativo do Congresso Nacional, hoje dominado por uma maioria fisiológica do Centrão e por setores da extrema direita politicamente desqualificados, o STF passou a ocupar, ainda que de forma imperfeita e tensionada, um espaço central na efetivação de direitos e na contenção de retrocessos democráticos.

A campanha de desmoralização do Supremo Tribunal Federal não nasce de um súbito apego à legalidade ou à democracia, mas do incômodo crescente de setores autoritários, elites econômicas e forças políticas comprometidas com a impunidade diante de uma Corte que, apesar de seus erros, passou a frustrar seus projetos de poder.

Assim, a ofensiva midiática também revela uma contradição que a história brasileira nos aponta. Caso um regime autoritário tivesse se imposto, esses mesmos veículos que hoje se apresentam como fiscalizadores do poder não estariam........

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