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Golpe continuado, agora, por dentro da Suprema Corte

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19.09.2026

A crise que hoje mantém o STF na UTI, respirando por aparelhos, atinge em cheio o coração do processo eleitoral. A tentativa de desgastar a Corte com foco em Alexandre de Moraes, perseguido pelo campo bolsonarista, encontra forte eco em uma ofensiva política que ultrapassa as fronteiras do país. É incontestável a forte interferência dos EUA no processo eleitoral brasileiro. Este fato ganha veracidade diante de uma revelação que veio a público nesta quinta-feira, 17/09. Reportagens do Estadão e do Correio Braziliense, posteriormente repercutidas por outros veículos, mostram que o governo Trump apresentou ao Brasil, em outubro de 2025, um documento que exigia ingerências diretas na política e na economia do Brasil incluindo a garantia de participação de políticos específicos nas eleições, a compra forçada de aviões da Boeing por empresas nacionais, a intervenção no controle do Banco Central e repasse antecipado de informações estratégicas sobre mineração e preferência para licitações a empresas dos EUA. Considerada pelo Itamaraty uma tentativa de “bullying diplomático”, a proposta foi descartada antes mesmo de virar negociação oficial.

É difícil, portanto, tratar como fatos isolados a aproximação de Flávio Bolsonaro com autoridades norte-americanas e a pressão exercida pelo governo Trump sobre o Brasil. Essa revelação reforça as reiteradas investidas do governo norte-americano para enfraquecer a economia brasileira, por meio de sucessivos tarifaços, e, de resto, atingir a soberania nacional. Falta ao pernicioso imperialismo estadunidense abocanhar o Brasil, a maior potência e economia da América Latina, para sugar o que puder de seus recursos e de sua autonomia política, até agora preservada pelo atual governo brasileiro, que não se rendeu às pressões trumpistas. Nos planos de Trump está a missão de eleger um entreguista que servirá aos seus propósitos colonialistas. Vale lembrar que em carta a Marco Rubio, numa menção de subserviência vergonhosa, Flávio Bolsonaro ofereceu colocar sua equipe de transição à disposição do governo norte-americano caso venha a ser eleito. Rubio respondeu registrando a “generosa oferta”. O fato, por si só, revela uma disposição absurda de aproximar a futura estrutura de governo brasileira dos interesses dos EUA.

Diante desta pretensão exploratória, o candidato Flávio Bolsonaro, de reconhecida personalidade mitômana, explora essa crise e tenta colar a imagem de Moraes à de Lula, omitindo que o ministro foi indicado por Michel Temer, em 2017 e na ocasião de sua sabatina no Senado não obteve aprovação pelos senadores do PT e demais partidos da esquerda. No escândalo do Banco Master, a solicitação de uma vultosa quantia a Daniel Vorcaro para a produção do filme de quinta categoria “Dark Horse” só foi admitida depois que o Intercept Brasil revelou mensagens que evidenciavam a aproximação íntima e sistemática entre o candidato Flávio e o ex-banqueiro preso. A participação de Flávio nas negociações e o destino dos recursos relacionados ao filme, com repasses milionários ao Havengate Development Fund LP, no Texas, posteriormente enviados, coincidentemente, ao advogado de Eduardo Bolsonaro, jamais foram explicados pelo filho 01 de Jair. Felizmente, o caso é objeto de investigação pela PF, instituição cuja atuação quase foi barrada pelo ministro André Mendonça. 

A crise no Supremo não se restringe a rixas procedimentais, processuais ou de disputas de poder entre ministros do Supremo, ela assume uma dimensão política mais ampla. Se, de um lado, há uma ofensiva externa que pressiona o Brasil e encontra interlocutores declarados no campo bolsonarista, de outro, a própria Suprema Corte se transforma em espaço de uma disputa que pode atingir diretamente a eleição. A pergunta que se impõe é simples, embora incômoda: a quem interessa o esfacelamento da mais alta Corte de Justiça do país, quando ela volta a ser colocada no centro da disputa eleitoral?

É nesse ambiente que surge a atuação do ministro André Mendonça. Sua decisão de afastar o diretor-geral da Polícia Federal e o diretor de Inteligência Policial desencadeou uma crise........

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