PGM trabalhou nas férias para produzir representações contra os oficiais golpistas
Durante todo o início do verão e do recesso do Judiciário, o Procurador Geral da Justiça Militar, Dr. Clauro De Bortolli, abandonou o que seria o seu período de descanso para se debruçar sobre as milhares de páginas da Ação Penal nº 2668, que desnudou à sociedade brasileira os desmandos de Jair Bolsonaro e os seus quatro cúmplices. A movimentação golpista durou - segundo o PGR, Paulo Gonet -, de junho de 2022, ao aterrador 8 de janeiro de 2023, quando a nossa pátria distraída fazia a sexta em um domingo de sol pálido, sem perceber que era subtraída em sua democracia.
O país foi sacudido por imagens aterradoras. Difícil é fazer com que o povo, de modo geral, ligue os atos de vandalismo daquela tarde à perda de liberdade, que é o que se tem na democracia. Para o cidadão comum, como democracia não se compra na farmácia ou no mercado, a abstração do termo não encontra encaixe na sua indignação. É difícil para as pessoas comuns, dimensionarem o que perderiam ou a que estariam sujeitas se aquelas páginas infelizes da nossa história, hoje desbotadas na memória, voltassem ao cotidiano das nossas novas gerações.
Para personagens que têm papel destacado nesse enredo, como a ministra Maria Elizabeth Rocha, que convive com a história insepulta do cunhado, Paulo de Tarso, um dos desaparecidos políticos do país, - de um período que só agora se fecha -, e do PGM, Dr. De Bortolli, cujo peso das milhares de páginas precisavam com urgência virar “representações”, para banir das FAs os golpistas, essa história tem outro significado. Por isso a pressa, a urgência.
Em seu discurso, na coletiva de imprensa em que apresentou o resultado da abstração do verão, por parte de Dr. Bortolli, na terça-feira, 03/02, a ministra Maria Elizabeth prometeu pautar os casos assim que os relatores designados por sorteio – um para cada réu – concluírem suas análises. “Não vou procrastinar”. E pela firmeza que tem demonstrado até aqui, é bom acreditarem nisso. Por seu lado, o PGM efetivou o que acenara pouco antes do Natal: “assim que começarem os trabalhos no Judiciário, eu lá estarei, dando entrada nas representações”. E cumpriu. No dia seguinte às pompas da reabertura do ano judiciário, lá estava ele, com o dever de casa prontinho.
Apresentou ao Superior Tribunal Militar (STM), na terça-feira (3), representações para a declaração de indignidade para o oficialato de cinco oficiais condenados na Ação Penal nº 2.668, já com trânsito em julgado no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na sala repleta de jornalistas, com olhos grudados no telão, às 16h e mais uns minutinhos, os nomes dos “representados” começaram a surgir na tela, seguidos dos ministros relatores e ministros revisores. É assim que funciona. Cada representação/processo é analisado por um ministro apontado eletronicamente pelo sistema. Depois dos prazos desincumbidos no ritmo de cada um, todos apresentarão seus votos a uma plenária onde serão debatidos e, finalmente, decididas as sentenças. Quanto tempo vai levar? Pela ministra, um prazo “célere”. Para os ministros, o prazo de suas consciências.
O procurador De Bortolli, em suas “representações”, fez questão de apontar as razões pela condenação sobre cada........
