Discurso da China foca em estabilidade, paz e respeito à soberania
“O mundo não pode voltar à lei da selva, onde os fortes intimidam os fracos.”
A frase foi dita por He Lifeng, vice-primeiro-ministro do Conselho de Estado da República Popular da China, ao discursar no World Economic Forum. Em poucas palavras, ela resume o eixo central da intervenção chinesa em Davos: a defesa de regras comuns, do multilateralismo, do respeito à soberania dos países e da cooperação como base da ordem internacional.
O discurso de He Lifeng não teve a mesma repercussão que as declarações de Donald Trump no mesmo período, dominadas por ameaças, retórica agressiva e o uso explícito da coerção econômica como instrumento político. Ainda assim, deveria ter tido. O pronunciamento chinês apresentou um contraste direto com essa postura: em vez de confronto, diálogo; em vez de unilateralismo, instituições; em vez de sanções e intimidação, regras e previsibilidade.
Logo nos primeiros minutos de fala, He Lifeng deixou claro que a China vê com preocupação o avanço do protecionismo e das guerras comerciais. “Guerras tarifárias não têm vencedores”, afirmou, acrescentando que esse tipo de política apenas eleva custos, fragmenta cadeias produtivas globais e prejudica o crescimento econômico. A mensagem foi reforçada com dados: a participação do comércio global sob regras de nação mais favorecida caiu de 80% para 72%, enquanto o Fundo Monetário Internacional estima que a fragmentação econômica pode reduzir o PIB mundial em cerca de 7%. “Isso não é do........
