Controvérsia histórica entre varguismo e lulismo
Muito instrutivas as entrevistas de Fernando Morais, jornalista e escritor, biógrafo de Lula, à Carta Capital e de Márcio Pochmann, economista, presidente do IBGE, no governo lulista, à TV 247, na apreciação do Varguismo e do Lulismo em seus respectivos desenvolvimentos históricos.
Elas se cruzam em apreciações interpretativas, especialmente, quando ambos comparam Getúlio e Lula, em seus papeis na construção do Estado nacional, do ponto de vista dos trabalhadores na sua relação com os capitalistas.
Pochmann, amante da história, diz que, depois da dominação colonial portuguesa, de 1500 a 1808, a base da dependência externa brasileira ao capital externo se divide em três períodos: de 1809 a 1919, dominação inglesa sob a libra esterlina; de 1920 a 2008, dominação americana sob comando do dólar, e de 2009 em diante, domínio chinês em ascensão.
Atualmente, 60% do comércio de bens primários, conforme Pochmann, são realizados com os chineses, o que mostra a supremacia da relação comercial Brasil-China, relativamente, à relação Brasil-EUA, durante o século 21, até agora.
DEPENDÊNCIA COLONIAL EXTERNA
Nessas três etapas, o poder externo – Inglaterra, Estados Unidos e China – sobre o Brasil se realiza, destacadamente, no plano das relações de trocas comerciais.
As relações de trocas se pautaram pelas exportações de bens primários e semielaborados, por parte do Brasil, que importa bens terciários, manufaturados, sofrendo, permanentemente, deterioração nos termos de intercâmbio, acumulando prejuízos cambiais continuados, que inviabilizaram a plena industrialização brasileira.
Pochmann destaca que o movimento tenentista de 1930, liderado por Getúlio, inaugura construção do Estado Nacional, de forma orgânica, promovendo, de um lado, autonomia dos trabalhadores, com políticas sociais, fixando garantias de direitos trabalhistas, e, de outro, paripassu, a maioridade industrial, com criação das empresas estatais getulistas.
As estatais, como dizia Getúlio, principalmente, em relação ao petróleo, siderurgia e eletricidade, exerceriam o papel de metralhadoras desenvolvimentistas, para reverter, historicamente, a dependência externa nas relações de troca.
É Getúlio que rompe os laços com o colonialismo inglês, para inaugurar nova etapa histórica brasileira.
GETÚLIO E A ASCENSÃO DE HITLER
Portanto, no primeiro período getulista (1930-1945), a luta se deu contra o imperialismo inglês.
No segundo período(1950-1954), a batalha seria travada contra o imperialismo americano, quando Getúlio se suicida........
