GloboNews transforma entrevista com Flávio Bolsonaro em vitrine política para a extrema direita
A entrevista de Flávio Bolsonaro no programa GloboNews Mais expôs mais do que as intenções políticas do senador. Expôs, sobretudo, o esgotamento de um certo jornalismo político televisivo que, em nome da “pluralidade”, transforma entrevistas em vitrines cuidadosamente iluminadas para personagens que deveriam ser confrontados com rigor e profundidade.
Não se trata de defender hostilidade gratuita. Jornalismo não é tribunal nem espetáculo inquisitorial. Mas também não é assessoria de imprensa de luxo travestida de sabatina crítica. E foi exatamente essa sensação que ficou no ar: a de um palanque confortável, revestido pela estética da entrevista dura, mas conduzido com a delicadeza de quem teme interromper o convidado em seus momentos mais emocionados.
Otávio Guedes pareceu mais fascinado pela intimidade revelada nos áudios entre Flávio e Daniel Vorcaro do que propriamente interessado nas implicações políticas e econômicas daquele relacionamento. O tom lembrava menos uma entrevista sobre poder e interesses financeiros e mais uma mesa-redonda sobre vínculos afetivos na elite brasileira. Faltou perguntar o essencial: por que um contrato de financiamento ligado a um filme sobre Jair Bolsonaro exige cláusulas rígidas de confidencialidade? O que exatamente precisava permanecer oculto? Em política, o segredo raramente é detalhe burocrático. Geralmente é método.
Malu Gaspar tentou imprimir algum grau de tensão jornalística ao encontro. Mas recuava justamente quando as respostas do senador abriam espaço para aprofundamento. A entrevista produziu um fenômeno curioso: cada contradição apresentada por Flávio Bolsonaro era recebida como ponto final, quando deveria funcionar como ponto de partida.
Já Júlia Duailibi ensaiou maior insistência. Em alguns momentos, chegou perto do que se espera de uma entrevista política séria: contraposição factual, cobrança objetiva e tentativa de impedir a........
