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Até onde a grande mídia irá para impedir um pouco de justiça social?

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10.09.2026

Talvez seja preciso começar pelo que realmente está em disputa nesta eleição.

Lula não propõe uma revolução socialista. Seu governo pratica uma política econômica moderada e, muitas vezes, conservadora. O que faz é aumentar o salário mínimo acima da inflação, ampliar transferências de renda, reduzir a pobreza, ensaiar alguma tributação dos muito ricos e utilizar o Estado como instrumento de desenvolvimento.

Num dos países mais desiguais do mundo, isso deveria parecer pouco.

Para parte da elite brasileira, parece demais.

É desse ponto que precisa partir a análise da campanha em curso na grande mídia corporativa contra Lula.

Talvez estejamos compreendendo apenas metade de sua estratégia ao imaginar que o objetivo seja simplesmente eleger Flávio Bolsonaro.

Há uma hipótese mais sofisticada.

Plano A: derrotar Lula.

Plano B: se isso não for possível, enfraquecê-lo até tornar um eventual novo governo dependente daqueles que ajudaram a colocá-lo contra a parede.

Flávio pode servir às duas alternativas: primeiro como ameaça eleitoral; depois, se chegar perto demais da Presidência, como alvo do enorme arquivo que a própria imprensa acumulou sobre os Bolsonaro.

Não há prova de que os grandes veículos tenham combinado essa estratégia. É uma hipótese política. Mas ela ajuda a organizar fatos que estão diante de nossos olhos.

Mendonça ajuda a entender o jogo

As informações encontradas no celular de Daniel Vorcaro envolvendo Alexandre de Moraes precisam ser investigadas. Nenhum ministro do Supremo está acima da lei.

Mas também é preciso investigar como foram obtidas, selecionadas, transformadas em relatório e divulgadas.

É aí que aparece André Mendonça.

Sua atuação passou a ser questionada pela PGR e por juristas. Em grande parte da cobertura, porém, o foco deslocou-se do procedimento para o alvo.

Moraes virou o problema. Mendonça, o mensageiro.

E Mendonça foi escolhido para o STF por Jair Bolsonaro, cujo filho agora disputa a Presidência contra Lula.

Isso não prova uma operação eleitoral. Mas ou estamos diante de uma sucessão de erros extraordinariamente conveniente para o campo que colocou Mendonça no Supremo — o que exigiria admitir incompetência igualmente extraordinária — ou existe uma dimensão política que precisa ser investigada.

O resultado é objetivo: Moraes é atingido, o STF entra em crise, Lula sofre desgaste e Flávio se beneficia.

Três jornais, as mesmas palavras

Em 31 de julho, O Estado de S. Paulo,........

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