Até onde a grande mídia irá para impedir um pouco de justiça social?
Talvez seja preciso começar pelo que realmente está em disputa nesta eleição.
Lula não propõe uma revolução socialista. Seu governo pratica uma política econômica moderada e, muitas vezes, conservadora. O que faz é aumentar o salário mínimo acima da inflação, ampliar transferências de renda, reduzir a pobreza, ensaiar alguma tributação dos muito ricos e utilizar o Estado como instrumento de desenvolvimento.
Num dos países mais desiguais do mundo, isso deveria parecer pouco.
Para parte da elite brasileira, parece demais.
É desse ponto que precisa partir a análise da campanha em curso na grande mídia corporativa contra Lula.
Talvez estejamos compreendendo apenas metade de sua estratégia ao imaginar que o objetivo seja simplesmente eleger Flávio Bolsonaro.
Há uma hipótese mais sofisticada.
Plano A: derrotar Lula.
Plano B: se isso não for possível, enfraquecê-lo até tornar um eventual novo governo dependente daqueles que ajudaram a colocá-lo contra a parede.
Flávio pode servir às duas alternativas: primeiro como ameaça eleitoral; depois, se chegar perto demais da Presidência, como alvo do enorme arquivo que a própria imprensa acumulou sobre os Bolsonaro.
Não há prova de que os grandes veículos tenham combinado essa estratégia. É uma hipótese política. Mas ela ajuda a organizar fatos que estão diante de nossos olhos.
Mendonça ajuda a entender o jogo
As informações encontradas no celular de Daniel Vorcaro envolvendo Alexandre de Moraes precisam ser investigadas. Nenhum ministro do Supremo está acima da lei.
Mas também é preciso investigar como foram obtidas, selecionadas, transformadas em relatório e divulgadas.
É aí que aparece André Mendonça.
Sua atuação passou a ser questionada pela PGR e por juristas. Em grande parte da cobertura, porém, o foco deslocou-se do procedimento para o alvo.
Moraes virou o problema. Mendonça, o mensageiro.
E Mendonça foi escolhido para o STF por Jair Bolsonaro, cujo filho agora disputa a Presidência contra Lula.
Isso não prova uma operação eleitoral. Mas ou estamos diante de uma sucessão de erros extraordinariamente conveniente para o campo que colocou Mendonça no Supremo — o que exigiria admitir incompetência igualmente extraordinária — ou existe uma dimensão política que precisa ser investigada.
O resultado é objetivo: Moraes é atingido, o STF entra em crise, Lula sofre desgaste e Flávio se beneficia.
Três jornais, as mesmas palavras
Em 31 de julho, O Estado de S. Paulo,........
