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O mundo precisa que os BRICS sejam o adulto na sala

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11.09.2026

Durante vários anos após a sua primeira reunião oficial de líderes, realizada em Ecaterimburgo, na Rússia, em 2009, os BRICS — na época ainda BRIC — foram vistos principalmente em relação a outros agrupamentos, ou como um contrapeso a algum bloco ou arquitetura internacional já existente. De fato, a declaração conjunta daquela primeira cúpula do BRIC em Ecaterimburgo começava reafirmando o papel central do G20 no combate à crise financeira de 2008, que naquele momento projetava uma longa sombra sobre os assuntos mundiais. A mesma declaração expressava, além disso, sua confiança nos organismos das Nações Unidas para abordar com sucesso questões geoeconômicas, ao mesmo tempo em que respaldava o sistema multilateral de comércio e se opunha ao protecionismo.

Nos anos seguintes, à medida que os BRICS se expandiam, a percepção em torno do grupo também foi mudando. No decorrer de uma década, passou de uma curiosa associação de países em desenvolvimento — batizada a partir de um termo cunhado pela Goldman Sachs que se tornaria célebre — a ser apresentado de forma cada vez mais insidiosa como um desafio à ordem mundial dominada pelo Ocidente, como a resposta dos mercados emergentes ao G7 ou sob alguma outra etiqueta similar. Agora, às vésperas de sua 18ª Cúpula, a forma de caracterizar os BRICS volta a mudar.

Em poucas palavras, os BRICS de 2026 já não precisam ser considerados um contrapeso a ninguém. Em termos práticos, quando um grupo reúne 3,85 bilhões de pessoas (46,3% da população mundial), abrange 44 milhões de quilômetros quadrados (29,5% da superfície terrestre do planeta) e representa 40% do PIB mundial em paridade de poder de compra, 26% do comércio global e mais da metade do crescimento econômico mundial, essa dimensão lhe permite decidir por si mesmo o que representa e qual deve ser a sua........

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