menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Futebol e a invenção do Brasil: como a bola criou a identidade nacional

17 0
20.05.2026

Que o futebol é o maior fenômeno cultural da modernidade tardia, nenhum historiador honesto pode negar. Nascido na Inglaterra, espalhou-se pelo planeta como um rastilho de pólvora. Onde chegou, levado por ingleses ou seus descendentes, foi apropriado, reinventado e nacionalizado. Não foi diferente na América do Sul. O esporte ajudou a formar os sportsmen sul-americanos na Argentina, no Uruguai e no Chile.

No Brasil, entretanto, a nacionalização do futebol ocorreu de maneira mais tardia em relação aos vizinhos platinos. Enquanto argentinos e uruguaios já possuíam clubes consolidados ainda no século XIX, o futebol brasileiro só adquiriu dimensão efetivamente popular nos anos 1920, especialmente após a conquista do Campeonato Sul-Americano de 1919, primeiro grande título internacional da seleção brasileira. Foi justamente depois daquela conquista que o esporte bretão tornou-se impossível de ser contido no Brasil.

Neste processo de popularização, uma figura tornou-se central para a história do futebol brasileiro: Arthur Friedenreich (1892-1969). Filho de pai alemão e mãe negra brasileira, Friedenreich foi o primeiro grande craque do futebol nacional e o primeiro jogador negro a alcançar enorme reconhecimento no esporte brasileiro ainda em um período profundamente marcado pelo racismo e pela exclusão social. Em uma época em que muitos clubes restringiam ou dificultavam a presença de atletas negros, Friedenreich tornou-se símbolo da capacidade técnica, da improvisação e da criatividade que mais tarde seriam identificadas como marcas do futebol brasileiro. Sua trajetória antecipava, em campo, as........

© Brasil 247