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Afinal, quem construiu a inteligência artificial?

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22.08.2026

Em 1935, o renomado Bertolt Brecht publicou “Perguntas de um trabalhador que lê”, um poema breve, porém profundo, que destaca o papel dos trabalhadores na construção da história, em contraste com os nomes dos donos dos meios de produção que adornam os livros de história.

Brecht inicia com uma pergunta aparentemente simples, mas profundamente perturbadora: “Quem construiu Tebas, a cidade das sete portas?”. Ele aponta que, embora os livros registrem os nomes dos reis, eles não mencionam se os próprios reis carregaram as pedras.

A pergunta persiste: quem reconstruiu Babilônia inúmeras vezes? Para onde foram os pedreiros quando a Muralha da China foi concluída? Roma, com seus grandiosos arcos do triunfo, quem os ergueu? Alexandre conquistou a Índia sozinho? César ocupou a Gália sem a ajuda nem mesmo de um cozinheiro?

Brecht desafia habilmente a narrativa convencional, desmistificando as conquistas dos grandes homens e trazendo a história de volta à realidade objetiva. Ele enfatiza que reis não carregaram pedras, imperadores não construíram muralhas e generais não atravessaram continentes sozinhos. O poema conclui com uma reflexão sobre as inúmeras histórias e questões que permanecem sem resposta.

Quase um século depois, diante daquela que talvez seja a transformação tecnológica mais impressionante de nosso tempo, devemos nos inspirar no “trabalhador que lê” e fazer novamente algumas perguntas fundamentais.

Quem construiu a inteligência artificial?

Quem criou os textos que alimentam seus sistemas? Quem produziu as imagens? Quem escreveu os códigos? Quem conduziu as pesquisas científicas? Quem classificou os dados? Quem construiu os computadores? Quem extraiu os........

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