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Mourinho nunca esteve acabado... estava no lugar errado.

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30.10.2026

Disseram que estava acabado... que o futebol tinha evoluído e José Mourinho ficara para trás. Que os seus métodos pertenciam ao passado e que os grandes palcos europeus já não eram o seu lugar. Mourinho ouviu, continuou a trabalhar e respondeu como sempre gostou de responder: com resultados. No passado domingo, saiu de Barcelona com uma vitória por 2-1, frente a uma equipa que considero estar entre as três melhores da atualidade, e voltou a recordar ao futebol europeu uma verdade que alguns pareciam ter esquecido: continua a ser um treinador de elite.

Na semana que antecedeu o clássico, já circulavam especulações sobre o seu futuro no Real Madrid e possíveis alternativas para o banco, entre elas Didier Deschamps. O Barcelona apresentava-se como favorito, depois de um início de campeonato irrepreensível, com nove vitórias em nove jogos. Vitórias, quase todas, por goleada. Para muitos, a dúvida não era saber quem venceria, mas por quantos golos perderia o Real Madrid. A confirmação da ausência de Courtois, um dos melhores guarda-redes do mundo, aumentou ainda mais a dimensão do desafio.

Mourinho preparou a equipa, assumiu riscos e apresentou um Real Madrid corajoso, organizado e capaz de discutir o jogo em casa de um adversário fortíssimo. A aposta em Bernardo Silva, a capacidade de equilibrar os momentos defensivos com saídas rápidas e a forma como a equipa respondeu à pressão catalã revelaram algo que sempre distinguiu o treinador português: a capacidade de preparar os grandes jogos e de convencer os seus jogadores de que podem vencer, mesmo quando o contexto parece muito desfavorável.

A vitória não resolveu todos os problemas do Real Madrid, nem transformou uma equipa em construção na melhor do mundo, mas mostrou evolução, personalidade e, sobretudo, uma identidade competitiva que tinha faltado em muitos momentos do passado recente. Mourinho voltou a fazer aquilo que melhor sabe: transformar talento individual numa equipa que acredita na possibilidade de ganhar.

No dia 31 de janeiro deste ano, escrevi precisamente nesta rubrica um artigo intitulado «Real Madrid vem a Lisboa buscar Mourinho!». Defendi então que o regresso ao Santiago Bernabéu fazia sentido, não apenas pelo currículo do treinador, mas pela correspondência entre a sua personalidade e a cultura competitiva do clube. Oito meses depois, mantenho essa convicção. O Real Madrid é um lugar natural para José Mourinho porque ambos partilham uma exigência que não admite grandes concessões: ganhar não é apenas um objetivo,........

© A Bola