A oportunidade para democratizar a Liga esgota-se daqui a dez meses. Depois, só daqui a cinco anos
Os Estatutos da Liga Portugal são antidemocráticos e confusos. Não é assim que funcionam as instituições fortes.
A dez meses das eleições para um mandato de quatro anos, votar nomes antes de alterar as regras seria começar a construir a casa pelo telhado.
Antes de reconduzir Reinaldo Teixeira ou escolher outro presidente até 2031, as sociedades desportivas têm de decidir que Liga querem ter.
A prioridade deve ser definir um novo modelo de governo, aprovar as alterações necessárias aos Estatutos e só depois realizar as eleições.
Eleger primeiro e reformar depois seria entregar ao vencedor o poder de definir as regras segundo as quais exercerá o próprio poder.
As reformas começam urgentes, tornam-se inconvenientes depois da vitória e acabam esquecidas.
No século XVIII, Montesquieu explicou que a liberdade exige que o poder não esteja concentrado nas mesmas mãos.
Quem executa não deve controlar as regras, quem representa interesses não deve administrar em benefício próprio e quem fiscaliza tem de ser independente de quem é fiscalizado.
A separação de poderes não elimina o conflito: organiza-o, limita-o e impede que se transforme em domínio.
A Liga não é um Estado nem os seus Estatutos uma Constituição, mas o princípio mantém-se válido. Na atual governação, as mesmas sociedades participam na competição, recebem as decisões e integram o órgão que as prepara. Administração, representação e fiscalização aparecem confundidas.
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