A gaiola dourada dos jogadores profissionais de futebol
Oexemplo mais flagrante da condição de escravos de luxo dos jogadores profissionais de futebol ocorre quando, ciclicamente, um clube anuncia, como castigo por maus resultados ou exibições, a realização de um estágio que os impede de dormir nas suas próprias casas.
Não há outra profissão em que semelhante punição seja considerada admissível.
Seria aceitável que o dono de uma empresa castigasse um administrador por maus resultados, obrigando-o a dormir fora de casa? Que um arquiteto fosse impedido de regressar ao convívio da família por ter perdido um concurso? Ou que um pasteleiro, por não lhe ter saído bem um bolo, fosse obrigado a passar a noite na pastelaria?
O futebol criou uma categoria extraordinária de trabalhadores: alguns são dos mais bem pagos do mundo, mas espera-se que vivam com restrições à sua liberdade que seriam intoleráveis para quem ganha o salário mínimo.
Os jogadores são tratados como adultos pelas responsabilidades que assumem e como menores pelos direitos que lhes são reconhecidos.
Trabalham frequentemente seis dias por semana, com períodos de descanso condicionados pelas exigências das competições.
E alguém se preocupa em saber se os jogadores que participaram no Mundial conseguiram efetivamente usufruir dos 22 dias úteis de férias a que têm direito, tal como a generalidade dos trabalhadores portugueses?
Espera-se que não........
