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Nos Açores, mobilidade não é luxo

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Já lá vai o tempo em que Portugal era Lisboa e o resto paisagem. Bonita, sim, diversa também, mas paisagem. A consciência de uma realidade muito diversa, de um país multifacetado e de uma riqueza dificilmente mensurável para uma tão pequena dimensão geográfica foi chegando com a multiplicação e diversificação da informação, e com a certeza de que, do ponto de vista do desenvolvimento sustentado, o conceito de justiça era cada vez mais percebido e adotado: justiça não é tratar tudo por igual; é tratar igual o que é igual, e diferente o que é diferente.

Daí que a discriminação positiva deva imperar, sempre que falamos de um todo com partes distintas, e seja ainda mais significativa e determinante quando aludimos às regiões autónomas, também elas, por sinal, bem diferentes entre si.

Porque a verdadeira dupla insularidade, a real ultraperiferia só é notória nos Açores, considerando que a Madeira, mais próxima geograficamente do território continental (e até da costa africana!…), se concentra numa ilha principal (com dez municípios), e num Porto Santo muito atraente, do ponto de vista turístico, mas bem resumido em termos de superfície.

Portanto, os Açores concentram, em si, problemas de gestão que se multiplicam por nove ilhas, por uma descontinuidade geográfica que assume, na sua génese, uma dupla insularidade, tão distintos, porém complementares e essenciais, são os desafios da governação.

No desporto (e no futebol em particular), a dimensão arquipelágica encerra a divisão em três associações distintas (Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta), herdando a antiga divisão administrativa digital, sobretudo por questões que se prendem com o conhecimento do terreno, a implantação de medidas específicas........

© A Bola