As contas de outro campeonato
Quando os holofotes se concentram nos lugares ocupados na tabela classificativa, na forma e no momento das equipas, nas polémicas de arbitragem tão típicas do nosso futebol, ou nas picardias e nos mind games de protagonistas fora das quatro linhas, há um outro campeonato, menos ruidoso e mais técnico, que continua a ser jogado e com impacto, mais cedo ou mais tarde, e por isso relevante no jogo futuro dentro das quatro linhas. Falo do campeonato das contas, aquele que garante a sustentabilidade e a capacidade estrutural de cada clube para transformar a sua ambição desportiva em desempenho competitivo.
Analisar os relatórios e contas do primeiro semestre da época desportiva 2025/2026 não implica substituir a paixão do jogo pela folha de Excel, nem a reduzir a emoção do futebol pela racionalidade dos números vertidos em balanços. Significa, isso sim, perceber melhor aquilo que antecede e condiciona o rendimento desportivo, a margem para atacar o mercado e reforçar plantéis, assim como para sindicar a consistência das decisões estratégicas e perceber melhor os projetos, sem que estejam condicionados pelas oscilações de forma das equipas e pelas inevitáveis contingências do jogo, como o erro de quem apita.
É uma forma mais completa de compreender o jogo como ele hoje verdadeiramente é: um espaço onde o talento, a ambição desportiva e a liderança das organizações convivem cada vez mais com a disciplina financeira, a capacidade de gerar receita e a solidez dos projetos.
Os três grandes do nosso futebol apresentam neste primeiro semestre sinais distintos, ainda que muito claros do momento que atravessam. O Sporting apresentou um resultado líquido que ascende a 32 milhões de euros, mais do dobro do período equivalente, beneficiando do forte contributo da participação na UEFA Champions League, na qual conseguiu historicamente qualificar-se nos oito........
