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Rui Borges está em construção para a alta competição internacional

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31.03.2026

Na pretérita época Rui Borges (e respetivo staff) conseguiu conquistar o título nacional, vencer a Taça de Portugal, ultrapassar a primeira fase da Champions, ultrapassar o trauma de orfandade que Rúben Amorim deixou em Alvalade e mesmo assim ainda não convenceu de todo o futebol português.

Observem-se três exemplos deste ceticismo, dois antes da vitória sobre o FK Bodo/Glimt (18 de março) e outro após: Rui Calafate (Record, 13 março) «… Já provou inúmeras vezes que em determinados momentos é muito poucochinho»; Rui Santos (CNN, 16 março) «mas permita-se a pergunta: será o treinador certo para o Sporting?»; e Luís Mateus (A Bola, 20 março): «Algo me diz que falta algo a Rui Borges, mas não sei dizer o quê.» A obra seminal de Pierre Bourdieu (1930-2002), Teoria da Prática, com os seus conceitos chave habitus e capital, ajuda a explicar por que Rui Borges enfrenta tanta inquietude e desconfiança.

O habitus de Rui Borges, entendido como o conjunto de disposições incorporadas — maneiras de pensar, perceber o mundo e agir — ao longo da sua trajetória desportiva, revela-se decisivo para compreender o seu posicionamento no futebol português. Formado no contexto periférico do futebol transmontano, habituado a competir em clubes modestos enquanto jogador, com uma carreira de treinador desde adjunto (Académica, Boavista e Vizela) a treinador principal no Mirandela e noutros clubes de menor projeção até aos aproximadamente seis meses que passou no Vitória SC antes de entrar no Sporting, não foi reconhecido como um habitus talhado para a grandeza do Sporting.

As experiências de Rui Borges antes do Sporting, vividas em ambientes onde os........

© A Bola