O silêncio dos protagonistas e o ruído dos figurantes
O futebol moderno tem uma estranha incapacidade para lidar com o silêncio. O vazio incomoda-o. Obriga-o a pensar. E pensar é perigoso numa indústria que vive da ansiedade, da urgência e da necessidade permanente de fabricar capítulos novos, mesmo quando a história está parada. Por isso, quando se juntam três elementos explosivos — Benfica, Real Madrid e José Mourinho — nasce automaticamente uma novela. Não interessa se existem provas concretas, negociações avançadas ou decisões tomadas. Basta a possibilidade. No futebol, as hipóteses também fazem manchetes.
E esta hipótese específica tem um combustível emocional poderoso. O Real Madrid olha para Mourinho como os velhos impérios olham para antigos generais: homens que conhecem os corredores do palácio, as guerras internas e a pressão impossível de sobreviver sem cicatrizes. Florentino Pérez pode cometer muitos erros, mas raramente esquece quem lhe deu batalhas dignas do tamanho do clube.
Num tempo em que o Barcelona de Guardiola parecia uma experiência científica destinada a humilhar o resto da humanidade futebolística, Mourinho foi o homem que........
