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Jhon Durán: a verdade foi tomar banho

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saturday

No futebol português, até o silêncio devia levar advogado. Nunca se sabe o que pode dizer. Uma pessoa está calada e já vai a caminho do túnel. Outra abre a boca, ninguém percebe o que disse, mas o relatório percebe tudo. Sobretudo a necessidade de justificar o cartão que já saiu do bolso.

Jhon Durán foi expulso por Cláudio Pereira no final do Santa Clara-Benfica. No relatório, surgem palavras impercetíveis à equipa de arbitragem. Palavras que terão ajudado a propagar o conflito. Não se percebe o conteúdo. Percebe-se a culpa. É uma capacidade extraordinária. Como condenar um livro sem conseguir ler o texto.

Convém fazer uma pausa. Um gesto pode ser ofensivo sem legenda. Uma provocação não precisa de palavrões. Mas um relatório precisa de factos. Da descrição concreta do que aconteceu. Se o árbitro não percebeu as palavras, não pode pedir-nos que aceitemos a ofensa por intuição. O cartão vermelho não é um teste de fé.

Também nos Açores, em abril de 2025, o mesmo árbitro expulsou Conrad Harder. Entre as explicações apareceu um «yeah» provocatório. Cláudio Pereira descreveu também um salto sobre um adversário e atribuiu ao então jogador do Sporting o início do conflito. O resto das palavras não lhe foi percetível. Já havia, portanto, dificuldades de receção. A emissão dos........

© A Bola