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Endometriose: Crónica da invisibilidade

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24.01.2026

Há dores que não cabem em metáforas. Dores que são quase impossíveis de descrever e, em determinados dias, parece utopia que a elas se consiga sobreviver. A endometriose é feita dessas dores — cruas, incisivas, excruciantes, persistentes — que atravessam o corpo como facas afiadas e, ainda assim, durante anos, são marginalizadas, subdiagnosticadas e normalizadas.

Tudo começa, muitas vezes, na adolescência. As primeiras menstruações trazem consigo um desconforto que é mais do que isso: é uma dor sem igual, que dobra o corpo como se o quisesse partir ao meio. Mas dizem-nos que é normal. Que todas as mulheres sofrem. Que “a dor ensina”. Que “mais uns anos e passa”. E assim nasce o primeiro mito – o mais cruel: o de que sofrer é parte natural da condição de ser mulher. Mas a dor não passa. Avança. Progride para estádios que se fazem prolongar nos dias e os tornam cada vez mais dolorosos, enquanto continua sem nome. E sem tratamento.

Com ela vêm hemorragias que não parecem pertencer à........

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