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A lição francesa do mal menor

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28.01.2026

“O que está em jogo é a nossa coesão nacional, os valores da República aos quais todos estamos profundamente ligados. O que está em jogo é a própria ideia que temos da Humanidade, dos seus direitos, da sua dignidade.” Na noite de 21 de abril de 2002, com a maioria dos franceses em choque com o “terramoto” que representou a passagem do candidato de extrema-direita Jean-Marie Le Pen à segunda volta das presidenciais, com apenas 16,86% dos votos, foi com estas palavras que Jacques Chirac escolheu iniciar o seu discurso perante os apoiantes e o resto do país. Chirac era, até àquele momento, um Presidente extremamente fragilizado, resignado a abandonar em breve o Palácio do Eliseu, após sete anos de vários escândalos e de muitas picardias, e sem hipóteses, segundo todas as sondagens, de conseguir resistir a um duelo com o então primeiro-ministro socialista Lionel Jospin.

A popularidade do Presidente era tão baixa que nem sequer conseguiu chegar aos 20% dos votos na primeira volta. No entanto, a dispersão dos eleitores entre 16........

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