A desconfiança mata a democracia. Opinião de Pedro Marques Lopes
Na semana passada discutimos o que a crise das instituições intermédias está a fazer à comunidade. Como a queda para a quase irrelevância dos sindicatos, associações, clubes e demais organizações cívicas nos deixa mais sós, mais divididos e o quanto isso nos torna vulneráveis face a todos os poderes.
Isolados, somos muito mais facilmente manipuláveis. Se isso sempre foi assim, hoje a capacidade de sermos atingidos por qualquer mensagem política sem contraditório − e de sermos colocados num círculo artificial de pessoas que a partilham − é gigantesca. Nunca na História se viu algo sequer parecido.
Numa altura como a que vivemos, a força das instituições democráticas seria mais necessária do que nunca. Sozinhos, inseguros e com medo do futuro, seria normal olharmos para os nossos representantes e confiarmos nas suas decisões. Já se sabe: nada disso acontece. A confiança nas instituições democráticas, no Estado e nos órgãos de soberania está nos níveis mais baixos de sempre.
Portugal é um bom exemplo, mas é apenas um, sem a relevância e o impacto global de democracias como o Reino Unido ou os Estados Unidos da América (caso ainda possamos incluir os norte-americanos neste grupo). No entanto, os sinais estão todos cá e chegaram a uma velocidade pouco habitual. O normal é que, quando lá chegarmos, seja em força e rompendo etapas intermédias.
A pergunta inicial parece evidente: há razões para andarmos tão desconfiados dos nossos órgãos de soberania? Não há dúvida de que as constantes campanhas, mais ou menos injustas, contra os detentores de cargos políticos têm contribuído de forma importante para essa........
