Vinte e cinco anos depois das torres
Nova Iorque sempre teve a extraordinária capacidade de parecer maior do que a geografia. É uma cidade, mas também uma ideia: a promessa de que o movimento vence a imobilidade, o comércio vence as fronteiras e o futuro, por mais caótico que seja, acaba por chegar primeiro ali. Talvez por isso as Torres Gémeas fossem mais do que dois edifícios. Eram a arquitetura de uma época. Quando desapareceram do horizonte de Manhattan, na manhã de 11 de setembro de 2001, não ruíram apenas 110 andares de aço e betão. Terminou, de forma brutal, a breve ilusão de segurança em que o Ocidente vivera desde o fim da Guerra Fria.
Vinte e cinco anos depois, sabemos que o 11 de Setembro não mudou o mundo num único dia. Mudou, porém, a direção em que o mundo caminharia. Os atentados mataram quase três mil pessoas, mas a sua verdadeira dimensão histórica encontra-se naquilo que desencadearam. Poucos acontecimentos demonstram de forma tão cruel que, em política internacional, o poder de um ato não se mede apenas pela destruição que provoca, mas pelas decisões que obriga os outros a tomar.
Em 2001, os Estados Unidos da América eram uma potência sem equivalente. A União Soviética desaparecera, a China ainda não era um rival estratégico, a Rússia procurava um lugar numa ordem desenhada pelo Ocidente e a União Europeia preparava o seu grande alargamento. Falava-se de globalização quase como destino........
