Domingo decide-se mais do que um Presidente: a democracia portuguesa em jogo
No próximo domingo, Portugal não escolhe apenas um novo Presidente da República. Decide, em rigor, que ideia de democracia pretende reafirmar num tempo em que ela é testada em múltiplas latitudes. A segunda volta das eleições presidenciais coloca o País perante dois projetos antagónicos, duas conceções de poder e duas formas irreconciliáveis de entender o papel do Estado, das instituições e da própria comunidade nacional.
Tudo aponta — à luz das sondagens, da redistribuição do voto da primeira volta e da dinâmica política entretanto consolidada — para que António José Seguro entre na reta final como favorito inequívoco, com uma margem confortável e politicamente expressiva.
Essa posição de vantagem não é fortuita nem resulta de mero cálculo tático. É fruto de uma conjugação de fatores políticos, sociais e simbólicos que se foram acumulando ao longo da campanha. Seguro conseguiu afirmar-se como o rosto da estabilidade democrática, do equilíbrio institucional e da responsabilidade republicana, num contexto marcado pela ansiedade coletiva, pela fadiga do debate público e pela tentação de soluções simplistas para problemas estruturalmente complexos. Numa eleição presidencial — que exige ponderação, autoridade moral e sentido de Estado — essa diferença pesa mais do que qualquer artifício retórico momentâneo.
Em sentido oposto surge........
