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Opinião | O privilégio de não ser imigrante

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14.07.2026

O debate sobre imigração em Portugal tornou-se profundamente desigual.

A diferença começa, desde logo, na forma como identificamos quem chega para trabalhar na construção, na agricultura, na restauração, nas limpezas ou nos cuidados a idosos e quem chega com património, pensões elevadas ou um salário pago por uma empresa sediada noutro país. Estes últimos raramente são chamados imigrantes. São “expatriados”, “residentes internacionais” ou “nómadas digitais”.

Uns são apresentados como um problema. Outros como uma oportunidade. Uns têm de justificar permanentemente a sua presença. Outros são recebidos como símbolos de cosmopolitismo, investimento e sucesso económico.

Tão-pouco são visados quando se fala do suposto “colapso” do SNS por causa da imigração. E, no entanto…

Dentro do universo de 1,5 milhões de cidadãos estrangeiros residentes, as estimativas mais defensáveis apontam para cerca de 250 mil cidadãos de outros Estados-membros da União Europeia e entre 20 mil e 30 mil nómadas digitais. Se nos ativermos aos cidadãos de países terceiros, os números mais fiáveis — embora ainda careçam de maior rigor — estimam que vivam no nosso país entre 35 mil e 50 mil reformados.

Embora alguns destes residentes estrangeiros paguem impostos e outros estejam abrangidos, em função do país de origem, pelos mecanismos europeus de compensação dos encargos de saúde dos pensionistas residentes noutro Estado, o Estado português ainda não se debruçou suficientemente sobre a utilização dos serviços públicos pelos pensionistas estrangeiros, cujo número aumenta todos os anos. A questão não é acusar indiscriminadamente quem escolhe Portugal para viver, mas saber se as........

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