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Opinião | A Europa perde o povo e Putin agradece

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22.10.2026

A Europa está a perder as pessoas. Perde-as quando trabalhar deixa de chegar para pagar uma casa. Quando adoecer significa esperar meses por uma consulta ou escolher entre um medicamento e uma conta. Quando os jovens adiam a saída de casa, a possibilidade de ter filhos e a própria vida. E perde-as, sobretudo, quando responde a tudo isto com discursos sobre uma prosperidade que milhões de cidadãos não conseguem reconhecer no seu quotidiano. 

O descontentamento europeu tem muitas expressões e causas diferentes. Não existe uma única revolta, nem uma explicação que sirva para todos os países. Mas há um sentimento que atravessa fronteiras: o de que o esforço deixou de garantir segurança e de que quem decide vive protegido das consequências das suas decisões. 

Os números dão dimensão a esse sentimento. Segundo o Eurostat, em 2025, 92,7 milhões de pessoas na União Europeia estavam em risco de pobreza ou exclusão social: 20,9% da população. Houve uma melhoria face aos 93,3 milhões de 2024, e reconhecê-la é uma obrigação de rigor. Mas uma Europa onde cerca de uma em cada cinco pessoas continua nesta situação está longe de cumprir a promessa de prosperidade partilhada que sustenta a sua legitimidade. 

Em 2025, 8,8% da população da União não conseguia manter a casa adequadamente aquecida. O indicador melhorou, mas continua a traduzir uma privação elementar.  

Na saúde, os dados de 2024 mostram que 3,6% das pessoas com 16 ou mais anos que precisaram de consulta ou tratamento médico não conseguiram obtê-los por razões financeiras, listas de espera ou distância  No mesmo ano, entre as pessoas em risco de pobreza, a proporção subia para 6 por cento. A doença encontra, assim, uma segunda desigualdade: a capacidade de chegar aos cuidados. 

Seria errado dizer que não existem apoios sociais. Existem e são indispensáveis.  

O problema está na sua insuficiência, nas condições de acesso e na distância entre a proteção anunciada e a proteção efetiva. O relatório europeu sobre rendimento mínimo de 2025 reconhecia que nenhum Estado-membro tinha ainda os seus regimes plenamente alinhados com todas as disposições da recomendação europeia de 2023. No mesmo documento,........

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