O Governo quer dificultar a nacionalidade para esconder o caos que criou
Os imigrantes que vive em Portugal, na sua maioria, não têm como objetivo tornarem-se portugueses. Aqui trabalham, contribuem, criam família — mas mantêm a sua identidade e ligação ao país de origem.
Tornar-se português não é, numa grande parte dos casos, uma ambição identitária profunda, mas uma resposta a um sistema administrativo lento, fragmentado e muitas vezes disfuncional. Trata-se de uma opção instrumental, por ser mais simples, mais rápida e mais segura do ponto de vista jurídico.
A nacionalidade surge, assim, não como um “prémio” identitário, mas, muitas vezes, como uma via de simplificação perante processos que demoram anos, sistemas de agendamento bloqueados e respostas administrativas inexistentes.
É por isso que endurecer o acesso à nacionalidade, sem resolver estas falhas do sistema de forma a garantir a regularização, mais não faz do que prolongar a precariedade jurídica de quem já vive e trabalha em Portugal.
Há leis que resolvem problemas. E há leis que inventam problemas para parecer que os resolvem.
Em bom rigor, a proposta de alteração da Lei da Nacionalidade pertence claramente à segunda categoria.
Criou-se uma narrativa — um........
