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Reza II ou a saudade como forma de disciplina. Crónica de Manuel Fúria

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13.03.2026

O problema com os republicanos — chamemos-lhes assim, por economia de linguagem — não é terem má imaginação. É não a terem de todo. É natural, por isso, que lhes escapem certas realidades que qualquer criança reconhece intuitivamente. Príncipes, dragões, dinastias ou exílios. A infância aceita sem esforço o que o republicano desaprendeu. E quando lhes aparece alguém como Reza Pahlavi pela frente, tomam-no por um artefacto genealógico. Não percebem nada.

Há na saudade uma espécie de disciplina. Como se, quanto mais longe do que amamos, mais perto disso ficássemos. É uma coisa que se percebe com clareza em lugares como o Ironbound, em Newark, mais português do que muita capital de distrito do nosso belo Portugal. Reza Pahlavi — pretendente ao trono da Pérsia e exilado nos Estados Unidos — torna esse paradoxo especialmente vivo.

Em primeiro lugar, e para não mostrar favoritismos, concedo. Concedo que, quando os comentadores televisivos dizem “ele já não vive lá há décadas; que sabe ele do terreno?”, não estão a dizer um disparate qualquer. A objecção é séria. E as objecções sérias não se espantam com um abanão de monárquico ofendido. Não basta responder-lhes: “vocês não percebem nada de reis” — embora não percebam. Nem basta ridicularizar esta tara contemporânea pelo terreno, sempre o terreno, como se fosse preciso trazer lama na sola dos sapatos para merecer a........

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