A questão da Questão Monárquica
É quando um problema começa a produzir as suas piores consequências que nos ocorre, tarde e a más horas, procurar uma solução. Às vezes nem isso. Como quando acordamos de noite com a boca seca e vamos à cozinha à procura de um copo de água. Nem sumo, nem vinho, nem vodka, mas água: simples, inequívoca. A resposta certa para a sede. Tudo o resto são engenharias para adiar o inevitável.
As eleições presidenciais portuguesas funcionam hoje assim. São uma resposta que não responde. Uma vodka institucional servida de quatro em quatro anos, incapaz de resolver aquilo que finge resolver: a necessidade elementar de qualquer comunidade política se ver representada.
Há quem retire prazer do espectáculo: debates, sondagens, a noite eleitoral como se de uma final olímpica se tratasse. Também há quem se divirta a ver acidentes. Ou a Eurovisão. O problema não é o entretenimento; é a indiferença moral que o sustenta. No Portugal dos anos 80, votar era uma festa porque ainda havia espanto. Hoje é um frete. Um desfile de figuras a disputar tempo de antena. Não é por acaso que a metáfora circense regressa sempre nestas alturas.
Basta lembrar o debate presidencial de terça-feira. Manuel João Vieira no papel do palhaço pobre, libertando a burguesia urbana do incómodo de escolher entre vinte tonalidades da mesma esquerda; Ventura, prestidigitador profissional do ressentimento; Gouveia e Melo a ensaiar poses de........





















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