A solidão de quem lidera: quem cuida de quem está no topo?
Um trabalho do Laboratório Português dos Ambientes de Trabalho Saudáveis chamou a atenção para uma realidade que continua a ser pouco discutida: a particular vulnerabilidade das chefias intermédias.
São profissionais que vivem frequentemente numa espécie de “posição de sanduíche”: pressionados de cima, pela administração e pelos objetivos que têm de cumprir, e pressionados de baixo, pelas equipas que precisam de gerir, motivar, desenvolver e, muitas vezes, segurar emocionalmente.
É uma posição de elevada pressão. E, no entanto, há uma pergunta que continua a ser feita poucas vezes: Quem cuida de quem lidera?
Conheço um empresário que, durante anos, parecia ter tudo sob controlo. Gerava resultados. Mantinha a empresa a crescer. Protegia a família. Sorria nas reuniões. Continuava a decidir, a resolver problemas e a avançar. Por fora, funcionava. Por dentro, sentia que aquilo não era vida.
Ao domingo, a ansiedade começava antes de a nova semana sequer ter arrancado. Sofria com dores de cabeça intensas e carregava um desgaste que praticamente ninguém à sua volta conseguia ver. Um dia disse-me: “Eu tinha tudo, Márcia: uma família com saúde, uma mulher que amava, uma empresa a crescer, dinheiro. E, mesmo assim, era profundamente infeliz.”
Não havia uma crise visível. Havia um sofrimento silencioso. E talvez esta seja uma das formas mais perigosas de desgaste emocional: aquela em que a pessoa continua a funcionar tão bem por fora que ninguém percebe que, por dentro, já está a chegar ao limite.
Eu conheço esta realidade não apenas por ser licenciada em psicologia. Conheço-a porque também a vivi.
Durante quase 20 anos fui diretora........
