A minha cadela é do contra. Por Luís Leite
Trago sempre uma bola quando venho passear a Vírgula. Ela não brinca com bolas. É mais às travessas e travessões. A Vírgula é do contra.
A sacana orelhuda tem bolas espalhadas por casa, quase todas com aspecto de novas, porque sabe exactamente o que estou a pedir quando lhe atiro uma, mas nega. Ainda assim, trago a bola num bolso sem fundo de expectativas e atiro-lha pelo jardim. A Vírgula recusa. Introduz uma pausa. Um desvio. Uma observação marginal sobre um cheiro qualquer neste pedaço de relva. Sabe, e ignora.
Se insisto muito, vai a contragosto, o nariz empinado, o passo lento, um espectáculo calculado de desinteresse. Traz a bola, mas vai embora com ela, deixando-a cair desinteressadamente a meio do caminho, como se houvesse sempre qualquer coisa mais interessante à espera. Uma humilhação. “O meu próximo cão há-de gostar de bolas”, digo-lhe recebendo em troca um saltinho irritantemente fofo.
Pau na........
