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O Evangelho e o dilema dos ouriços

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03.06.2026

Em 1851, o filósofo alemão Arthur Schopenhauer incluía a metáfora dos ouriços na sua obra “Parerga und Paralipomena”. Trata-se duma parábola que refere o episódio de um grupo de ouriços num dia de inverno extremamente frio. Os animais sentiam grande necessidade de se aquecerem, pelo que tentaram uma aproximação física dos seus corpos. Mas a ideia não foi lá muito boa pois quanto mais se aproximavam uns dos outros, mais problemas tinham, uma vez que os espinhos que os revestem picavam e causavam dor nos parceiros.

Mas a solução também não seria o afastamento físico, visto que isso não iria permitir ultrapassar a desagradável sensação de frio que enfrentavam. Pensaram então que talvez uma aproximação cuidadosa e condicionada pudesse ajudar a minorar o problema, de modo que foram ajustando constantemente a distância entre eles até chegar a uma situação em que o calor compartilhado pelos seus corpos compensasse a dor causada.

A ideia que se pretende retirar daqui é demonstrar a complexidade das relações........

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