No trabalhador ainda cabe a sua própria pessoa? Análise de Gonçalo Soares de Jesus
Quando pensamos em trabalhadores surge-nos, muitas vezes, uma multidão sem rosto que se levanta nas dores do corpo e se deita no cansaço de uma rotina que não se esgota nunca: o trabalho sai-lhe das mãos, que, depois, se abrem àquilo que este, eventualmente, lhes der em troca. Apesar disso, ser trabalhador é um conceito mutável, que, à boleia da conveniência dos tempos, ora foi mais isto, ora foi, logo depois, mais aquilo.
Ser trabalhador, em traços gerais, pode, até mesmo, partir de variados motivos: necessidade, realização, sobrevivência, propósito ou apenas a longa tentativa humana de encontrar um lugar no mundo. Porém, mesmo com essa elasticidade conceptual que o termo mostra, ser trabalhador, no concreto, não pode é ser aquilo que o mais recente estudo do Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis veio mostrar que tem sido: exaustão emocional, sofrimento psicológico e uma estranha sensação de alívio sempre que o trabalho acontece longe dos trabalhadores.
Entre tarefas, agendamentos, deslocações, formações, avaliações e tudo o mais que caiba na longa mecanização dos dias que parecem trazer sempre outro, há uma verdade simples que o mundo do trabalho tem deixado escapar: antes de tudo, o trabalhador é uma pessoa.
Repare-se que, quando um estudo como o supra referido, nos mostra que os trabalhadores estão menos preparados para desafios, menos aptos para gerir conflitos e, atenção agora,........
