menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

El Salvador: a terra sem porquês

20 0
30.03.2026

Quando a justiça apareceu, talvez o propósito fosse, de facto, conter a força e permitir a razão. Muito provavelmente, o primeiro justo de toda a história da humanidade foi aquele que, perante uma vitória garantida, preferiu a incerteza da disputa. A justiça, em todo o existir humano, nada mais é do que uma espécie de banco partilhado que permite a todos espreitar o horizonte, nunca ficando, nenhum, de fora do seu campo de visão. O justo é aquele que, mesmo alto e de olhos no infinito, decide baixar-se e levantar quem apenas consegue ter vista para o chão. Por que motivo? Nem mais: para que, bem melhor do que apenas um, dois pares de olhos decifrem por inteiro aquilo de que nos temos vindo a esquecer, mas continua sempre lá: o horizonte humano. Entenda-se: o nosso próprio horizonte, aquele onde existimos não como o que somos, mas como o que poderíamos ser.

Apesar disto, existem lugares onde a justiça não tem tido este significado. Existem lugares onde a justiça já não é justiça nenhuma e não falamos sequer do velho mundo de Josef K., onde, pelo menos, havia uma acusação, um tribunal e um julgamento, mesmo que tudo fosse, totalmente, absurdo.

Nos dias que correm, a ficção que denunciava a força de um poder sem rosto parece revelar-se como rampa de lançamento para uma realidade recortada de conveniências próprias e........

© Visão